Primeiro emprego no Canadá

Consegui meu primeiro emprego no Canadá! Yay! Como eu falei nos últimos posts, minha próxima missão era conseguir um emprego e deu certo mais rápido do que eu esperava. A rotina do college não ajuda e vai ser bem cansativo, mas quando acaba o dinheiro, não tem opção, né?

Eu, com o visto de estudante, só posso trabalhar 20h semanais durante as aulas e 40h semanais nas férias. Fora isso, eu tenho que ter disponível pro college, das 8h às 18h, pra eles encaixairem as aulas nesse período. Empregos em TI nessas condições eu diria que beira o impossível, a única coisa que eu ia conseguir era comércio e afins, que tem horários mais flexíveis.

O PROCESSO

O processo foi “old school” mesmo, montei um currículo mais simples, voltado para o atendimento ao cliente, imprimi vários e saí entregando pessoalmente. Como moro perto de uma avenida, fui nas lojas aqui perto e fui no Eaton Centre, que é o shopping mais bombado, fica em Downtown, todos os turistas vão e tem muito prédio comercial em volta, então está sempre lotado. Eu também tinha planos de ir no Dufferin Mall, que é muito frequentado por brasileiros, mas não precisei.

Eu entrava na loja, achava alguém e perguntava “Are you hiring?”, se sim , eles mesmos pediam meu currículo e eventualmente faziam algumas perguntas básicas, ou diziam que o processo era online e me davam o endereço do site pra eu me cadastrar; se não, eu só agradecia e ia pra próxima. No shopping a grande maioria das lojas grandes não aceitava currículo na hora e pedia pra eu fazer o processo online, mas em várias dessas a/o gerente já conversava comigo e anotava meu nome, então de qualquer jeito acho que vale a pena ir pessoalmente sim. Eu não entreguei em qualquer loja, eu só entreguei nas lojas que eu realmente queria trabalhar e tinha alguma afinidade: Forever 21, H&M, Indigo, The Body Shop e tal.

A última loja que eu entrei nesse dia foi a Pandora, tinha outra menina lá entregando currículo também, e a gerente me pediu pra voltar exatamente 1 semana depois pra uma entrevista. Saí de lá feliz e morrendo de medo da entrevista. Apesar de eu ter entregue o currículo lá, era a loja que eu menos queria trabalhar, porque eu teria que falar muito mais do que em qualquer outra loja e sim, eu ainda fico insegura pra sair falando. Mais insegura ainda no trabalho e 3x mais ainda se for vendendo, já que eu sou péssima vendedora mesmo em português. O que me deixa aliviada aqui é que a venda é muito mais voltada pro bom atendimento em si (essa parte eu sou boa), do que aquela coisa de ficar empurrando produto nas pessoas (que eu realmente não sei fazer).

Chegou o dia da entrevista, eu estava tendo um ataque de nervos, queria chorar e sair correndo, mas eu só engoli o choro, sorri e entrei na loja “fingindo costume”, como diria Thaynara OG. Pra aumentar um pouco o sofrimento, a gerente que ia me entrevistar não estava lá e me pediram pra voltar 30 minutos depois. Fiquei lá enrolando, o Vinicius estava comigo, tentando me manter distraída e dizendo coisas sobre autoconfiança. Voltei pra loja, preenchi uns formulários e fomos fazer a entrevista na rua. Eu e a gerente, que não é muito mais velha que eu, sentadinhas numa escada em alguma saída do shopping. Ela não seguiu um script, disse que não gostava, e perguntou coisas que realmente faziam mais pra ela, do tipo: “pra você qual a diferença entre atender o cliente e vender?”, “fale sobre você e suas experiências”, “qual é seu ponto forte”, “o que você faria se a vendedora que entra depois de você estivesse atrasada”, e me pediu pra escolher entre um dos 50 milhões de charms em um catálogo, qual me representaria e por que. E eu fingi costume tão bem, mas tão bem, que ela me falou que gostou muito da minha postura, que eu falei com ela de igual pra igual, que muitas vezes as pessoas vão fazer entrevista e agem com medo dela. Então já fica a dica, não se deixem intimidar pelos entrevistadores. E no fim, eu estava totalmente despreparada pra isso, ela me fez uma oferta de emprego. Disse que não costumava fazer isso na primeira entrevista, mas achou que eu me encaxei bem nas características que ela buscava e o público brasileiro no shopping era muito grande, então seria perfeito. Aqui eles não costumam falar simplesmente que você está contratado, eles te fazem uma oferta de emprego e você aceita ou pede um tempo pra pensar ou recusa. No caso, eu já aceitei!

Voltamos pra loja, fiquei lá preenchendo e assinando contrato, ela explicou mais alguns detalhes e só. Ficou de mandar um email solicitando os documentos e um outro pra eu fazer um treinamento online.  Os documentos que eu precisava enviar eram simples: SIN number, cópia do visto, dados bancários, atestado de antecedentes, que eu tirei na polícia, e um formulário de tax return, que é o imposto de renda.

No dia seguinte eu recebi só o email do treinamento e já comecei a fazer. O outro email eu não recebi, então terminei o treinamento online e liguei pra ela avisando. Descobri que as conversas por telefone aqui são curtas e objetivas, ela só falou “Que ótimo que você terminou. Vou mandar seu schedule por email. Tchau.” Não me deu tempo nem de responder o tchau. Aí eu estou aqui esperando esse email, que não chegou ainda porque, provavelmente, eu só vou entrar no schedule da semana que vem. Se eu não receber esses dias, volto lá na loja.

Sobre os horários que eu vou trabalhar, pra conciliar com o college, meu último horário de aula é às 16h, então deixei disponível todos os dias a partir das 17h e os finais de semana.

DIFERENÇAS

Sobre diferenças entre empregos aqui e no Brasil, as principais na minha opinião são:

  • Não tem nada parecido com a CLT, não tem carteira de trabalho, é sempre contrato;
  • O salário é por hora sendo que o mínimo é CAD 11.40/h, que acaba sendo o inicial de muitos empregos desse tipo; (Essa semana foi anunciado um aumento para CAD 15/h, mas só entra em vigor em 2019)
  • Não tem nenhum “benefício” que estamos acostumados, como vale transporte e vale refeição;
  • Férias, em geral, é de 15 dias depois de 1 ano trabalhado;
  • Nesses empregos de meio período você fala a sua disponibilidade e a empresa monta seus horários em cima do que você falar;
  • Não é porque você pode trabalhar 20h semanais que eles vão te dar 20h, eles te chamam de acordo com a necessidade deles, então não necessariamente seu salário é o mesmo todo mês, já que eles só vão pagar as horas que você trabalhou;
  • A maioria das lojas não tem comissão por venda.

Enfim, esse foi meu processo pra conseguir o primeiro emprego. Apesar de não ter começado ainda, vim contar como foi e depois eu conto como estará a rotina college + emprego. O que eu percebi, mais do que outra coisa, é estar no lugar certo, na hora certa. Foi assim comigo e com uma amiga também, fizemos só 1 entrevista e deu certo.

O Vinicius também conseguiu um emprego! Yay! Não foi na área dele por enquanto, mas o importante agora é pagar as contas. Vai trabalhar na Winners, que é uma empresa gigante e uma ótima oportunidade pra adiquirir experiência canadense.

Só notícias boas nesse post! Qualquer dúvida, me escrevam, ficarei feliz em ajudar!

😉


Facebook: Letícia Xis Blog
Instagram: @leticiaxis

{imagem: http://money.cnn.com/my-first-job/}

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8 thoughts on “Primeiro emprego no Canadá

  1. Fernanda says:

    Parabens!!!! Fico muito feliz de ver a conquista de cada um e nao vejo a hora de estar ai… Curiosidade: como foi o processo do Vinicius?

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